São inúmeras as reflexões que surgem num domingo à tarde chuvoso. Principalmente quando a data em questão se aproxima da fatídica mudança de chave para todos os grupos sociais e quando a reflexão em questão se faz presente durante todos os dias na vida de uma mulher. Essa era a abertura perfeita para um texto que, surgiu como um déjà-vu na minha mente, aborda um assunto importante: o fim do ano, a busca por identidade e o medo de agradar na internet.
A busca por aceitação e validação é uma característica inerente à natureza humana, principalmente quando reduzimos o grupo social a ser analisado, mas na era digital essa necessidade ganhou novas nuances com a presença massiva das redes sociais. E, a partir daí, vive-se uma great war entre o medo de não agradar nas redes vs. a identidade offline.
Culturalmente falando, é comum que o medo esteja atrelado à rejeição virtual, ampliando a necessidade de se criar um filtro cuidadoso do que se é compartilhado, evitando opiniões controversas e aspectos menos populares de uma personalidade. Assim é criada uma dicotomia entre essas duas versões.
E o medo de agradar tem gênero?
Estatisticamente as mulheres são muito mais propícias a adquirir uma aversão ao compartilhamento de suas vidas na internet, já que as mulheres sempre tem o seu gosto julgado e atrelado a um momento “fofurinha” ou de “histeria”. Um exemplo, muito claro e recente, foi o tratamento sobre mulheres com a vinda da cantora pop Taylor Swift com a The Eras Tour, enquanto, no mesmo período, aconteceu a eliminatória para a Copa do Mundo entre Brasil x Argentina, no Maracanã.
Na internet, muito se via comentários diminuindo esse anseio pelo show da cantora e relacionando com um gosto mais infantilizado. O mesmo aconteceu com a vinda da banda mexicana Rebelde e vários outros artistas. É uma situação desagradável e que se faz presente no dia-a-dia de mulheres que são fãs e demonstram essa paixão pelas redes. Seria cômico se um esporte de lazer, e muito gostoso de se assistir, se tornasse violento e não se ouve um sussurro sobre isso.
Diante desse cenário, de medos e receios sobre a exposição, vale o questionamento sobre a validade da busca por aprovação virtual que nem sempre refletem a verdadeira qualidade das interações. E, a partir daí, encontrar o equilíbrio entre autenticidade e construção de imagem, aliado ao entendimento de que as redes sociais podem ser espaços de apoio, empoderamento e encorajamento é essencial para superar o medo e promover uma cultura online mais inclusiva e positiva.
Ao decidir compartilhar sucessos, é válido reconhecer que cada jornada é única e promover uma atmosfera regada a diversidade de experiências contribui para que o ambiente virtual se torne mais acolhedor. Neste momento há a capacitação do compartilhamento de realizações num ato de resiliência, gerando inspiração e fortalecendo as conexões.
Sobre o Fanfica Aí:
No ar desde março de 2022, o projeto multiplataforma Fanfica Aí, cujo nome remete a um formato de histórias mais palatável, cômico e muito característico do universo de jovens adultas, é realizado por duas comunicadoras apaixonadas por moda, beleza e entretenimento pop. Disponível nas principais plataformas de podcast, como Spotify e Deezer, o programa cresceu e passou a levar o “clube das fanfiqueiras” para outros veículos de comunicação.
